terça-feira, 23 de agosto de 2011

Meu Filho



Cada vez que me lembro do meu filho, me dá como uma pontada, aqui dentro do peito, aqui onde se esconde, tão simples, tão falada, e tão propensa às emoções essa massa avermelhada que se chama coração.
E como não vou senti-la, se me lembro do meu filho.
Aquele que com suas palhaçadas, seus chicletes e sua geléia, deixava pegajosa a colcha da cama e o travesseiro.
Ainda que às vezes tentava brigar com ele, mas sempre falhava. Porque o moleque corria com sua risada inocente e ao vê-lo assim tão feliz, bom, o perdoava.
Como esquecer as manhãs que minha esposa o penteava, sentado ele numa cadeira se mexendo em protesto, tentando se livrar dessa luta que sua mãe e ele tinham com o cabelo que insistia em ficar de pé.
Nunca vou conseguir explicar o motivo pelo qual o penteavam tanto, se o guri ficava do mesmo jeito.
Mas o tempo vai passando, e hoje meu filho não é o mesmo, e já não dá os problemas engraçados de criança. Agora é um homem, se barbeia com minha navalha, fuma meus cigarros e usa minhas gravatas.
Acabou aquele inocente do susto, do choro, e da tosse, agora ele é quem manda e até sabe mais do que eu.
Inclusive sem ir muito longe, ontem trouxe sua noiva, eu por dentro os abençoei, por fora fiquei sério, porque devo confessar que me deu um pouco de medo, perceber naquele casal como passa o tempo.
Cada vez que me lembro do meu filho, me dá como uma pontada, aqui dentro do peito onde se esconde tão simples, tão falada, e tão propensa às emoções essa massa avermelhada que se chama coração.
Hoje, tudo está diferente, as roupas, o sofá, o travesseiro, se até parece que falta um pouco de geléia... e tudo tão organizado, não tem nada em que tropeçar, não tem ninguém prá quebrar uma janela ou que faça a mãe ficar brava.
E os pratos não se quebram e o canário não foge...
Como faz falta meu filho nessa casa tão grande.

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